segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Pequenos Pedaços de Nada " PT I "



Cada dia parece que esta mais difícil sair da porra da cama . falta ânimo . Ainda mais com o frio e com a chuva ( e a cama que convida ao seu aconchego com o seu abraço de urso ) , sempre queremos mais cinco minutos de sono .
      Porém somos vencidos pelas circunstâncias : contas de água e luz e telefone e internet e curso e tudo o mais que tenhamos que pagar . Chove pra caralho e já estou na rua a espera da van . ela chega eu entro e  só .
     Ponho meus fones de ouvido . já tenho minha própria vida pra cuidar , não me interessa a dos outros, nem de suas risadas falsas ou seus ruídos estridentes .
     Época de eleição na cidade , cartazes e mais cartazes e mais cartazes . inúmeros rostos e seus números tentando convencer você que ele é menos pior que os outros .Besteira . Suas faces me põem medo  num verdadeiro show de horror ! Mentiras e mais uma porra de mentiras mal contadas . Vários rostos sem vida , sorrisos falsos e muita , muita e muita feiúra . Meus Deus ( se é que existe algum ) como é possível uma coisa dessas ...
     Desço da van e entro na Fortaleza da Solidão, afinal é assim que eu chamo a fábrica , pois mesmo acompanhado de alguém você  sempre está sozinho ( não conte isso ao meu chefe por favor , ele vai ficar magoado ... Coitado !!  )  
     A fabrica é toda cinza por dentro como se fosse uma fortaleza de tristeza . Bato o ponto e baixo a minha cabeça . começo o serviço . Lá montamos esteiras industriais . pequenas grandes médias brancas azuis cinzas.
    É dia de pagamento e véspera de feriado ... todos se sentem bem  .. . eu veria uma moça a noite num barzinho escuro fedorento e feio da cidade ... então era só esperar pelas cinco e meia e ouvir o sinal tocar !
    Ao inspecionar algumas varetas achei uma defeituosa . E  ao traze-la para fora juntei outra e essa outra me veio direto na sobrancelha . Abrindo um pequeno talho , mas o suficiente para escorrer uma veia de sangue . senti o sangue quente jorrando da sobrancelha pela minha cara , pelo nariz  ciando em cima da boca . senti o  seu gosto . meu gosto . nada mal ...
    Fui ao banheiro e peguei um pedaço de papel higiênico e coloquei em cima da sangueira . Sai do banheiro todo feliz com um outro pedacinho colado na cara :
    - ENTÃO TUA SOBRANCELHA TÁ  " NAQUELES DIAS " ?! gritou um colega .

Eu tinha rasgado o papelzinho em  forma de absorvente ...




Continua ...

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